sexta-feira, 16 de março de 2012

Parabéns de saudades...


E amanhã seria teu aniversário...
Eu não consigo imaginar como seria o presente que te daria, aonde ia te ver, essas coisas que só fazemos por quem nos fazem muito bem.
Eu tive muito medo desde que você partiu, eu tive medo de não saber crescer e por vezes eu realmente não soube. Perdi-me por algumas estradas e me perdi mais ainda tentando voltar delas. E você nem acredita... EU CRESCI!
Eu gostaria que você pudesse ter visto o quanto eu mudei, quanta coisa mudou na minha vida, eu não estou mais na 8ª série e nem tenho mais 14 anos. Eu estou exatamente onde você parou.
Já faz muitos anos desde o dia que nos vimos pela ultima vez e do dia que te vi pela ultima vez. Você estava sem vida e eu também perdi a minha por um tempo. Quando eu me reencontrei com ela já tinha se passado alguns anos.
Pois é meu tio... Eu cresci sem você! E sei que hoje sentiria orgulho de mim.
O nosso adeus nunca aconteceu, eu nunca me lembrei de deixar você ir embora.
Eu vou ficar aqui com um bom livro até você voltar.
Eu tenho muitas saudades, te amo!

Com muita saudade,
Dáfni Priscila


quinta-feira, 15 de março de 2012

Almas de cangaçeiros


Como tenho dito, nos últimos dias tenho sentido mais que uma vontade e sim uma necessidade de escrever. Tudo tem virado um bom tema, uma inspiração e um caminho para colocar pra fora o que meus sentidos não estão conseguindo expressar.
Nessa semana em uma aula na universidade, na cadeira de “Sociologia da Sociedade Brasileira” a professora me disse algo que me chamou atenção, algo que costumeiramente talvez não fizesse a mínima diferença.
Estávamos discutindo a atuação do campesinato no período do Brasil colônia. Nesse debate não me lembro exatamente à causa mais ela acabou referindo- se ao cangaço, ela falava sobre o fato de que muitas das pessoas que se aliavam ao grupo de cangaceiros eram pessoas humilhadas por suas condições e viam nestes grupos a oportunidade de uma mudança, de uma nova vida, de novas oportunidades.
E prontamente fiz uma analogia com Bezerros. Senti vontade de escrever sobre isso... Seria na verdade mais um apelo, uma necessidade de que as pessoas soubessem o que sinto. Acredito que todo cientista social de certa forma precisa disso,afinal somos socialmente inconformados.
Pois bem... Quando percebi a forma como essas pessoas se engajavam no cangaço a procura de uma nova vida, percebi que é justamente dessa coragem de largar a vida humilhada que todos os bezerrenses precisam. Acreditar que existe uma nova oportunidade, um novo caminho. De sentirem-se mais guerreiros.
Quando encaramos nossa vida como uma questão de submissão, quando sempre achamos que não existe um caminho para renovarmos as esperanças... Devemos ser como aqueles cangaceiros largar aquela roupa velha e irmos à procura de uma nova.
E é esse o apelo que faço a meus conterrâneos. Temos visto uma cidade humilhada por gestões desastrosas, temos visto nossos educadores tratados com desrespeito, nossos estudantes sem assistência, funcionários perseguidos por uma política coronelista.
Rebelemo-nos! Vamos ser como esses cangaceiros que no ápice de sua humilhação e sem perspectiva encontraram um novo caminho de mudar suas vidas.
E por fim, mais uma vez, acreditem companheiros O NOVO SEMPRE VEM.


Com amor e carinho.

Dáfni Priscila