sábado, 19 de julho de 2014

UM DIA, UM ADEUS.




Eu era só uma criança...
Não poderia ser diferente, não poderia ter sido de outra forma...eu tenho certeza! Eu me fortaleci.
Há nove anos eu revivo um despedida, eu revivo um adeus. Quanto tempo mais? quanto tempo para esquecer? quanto tempo para se curar de uma saudade? Espero que seja breve, muito breve.
Era inverno, mas o dia estava ensolarado, um sol tão lindo e forte. 
Acordei cedo, fui na escola, ganhei vários bilhetes ( era dia do amigo e meu aniversário), voltei pra casa, escutei uma telemensagem enviada por amigas do colégio, almocei com meus pais e irmão, tomei um banho e fui te encontrar ( tínhamos combinado um dia antes). Eu estava tão feliz e ansiosa. A alegria parecia transbordar por meus olhos e sorrisos. 
No caminho decidi passar na casa da minha tia e resgatar uma amizade que havia se perdido por brigas de criança, e assim o fiz. Depois de alguns minutos o telefone toca, algo parecia acontecer. A tristeza pareceu pular naquela ligação, eu percebi de imediato que algo estava muito errado. Em seguida, a notícia: " Ele havia partido para sempre". 
Passados alguns segundos em choque (que parecia horas sob tortura), eu comecei a correr desesperadamente, sem direção ou rumo. Era exatamente assim que me sentia.
Todos me olhavam, o mundo parecia assistir a minha dor. Olhei para tanta gente na esperança que alguém pudesse me revelar que aquilo era um brincadeira, um trote, um pesadelo ou qualquer coisa que arrancasse a dor que sentia.
Desnorteada cheguei na minha casa e na porta havia várias pessoas (é algo estava muito errado). Olhei nos olhos da minha mãe ( era minha última esperança de acabar com tudo) e ela chorando me disse: " Eu sinto muito!".
Não, ela não sentia. Aquela era a minha dor, a minha solidão, o meu inferno permanente. E eu chorei, gritei e desejei profundamente ( com a fé de um cristão) que tudo fosse mentira. As horas passaram e me confirmava, era uma dolorosa verdade, a mais dolorosa de todas as verdades. Sirenes, IML, noticiários...como a dor é torturante.Naquele momento eu rompi definitivamente a minha aliança com Deus.
Não adianta, eu jamais conseguirei escrever o que senti. Não deve haver palavras para aquele momento. Nem o silêncio era resposta.
Chorei minha dor e minha saudade...
A matéria havia acabado. Não existia mais o cheiro, tom de voz, sorrisos, abraços, lágrimas, beijos ou qualquer outra coisa. Que desamparado para uma criança de 14 anos. Você já parou pra pensar como é romper involuntariamente com tudo isso? Eu afirmo! É um vazio permanentemente insuportável. 
Amanhã eu completo 23 anos, e 9 anos de seu adeus definitivo.
Ele ficaria feliz de ver como cresci, como sou uma garota forte e esforçada.
Não há um só dia que no silêncio dos meus pensamentos eu não pense: " Como nossa vida seria se ele pudesse está aqui?"
Acalmo o coração e vou seguindo com um sorriso no rosto.

Com amor e uma dolorosa saudade,
Para meu tio, minha saudade permanente

terça-feira, 8 de julho de 2014

Ardendo em desejo


Caminhava na barulhenta avenida
Cantarolando...
Engolia a saliva
Sentia o gosto da noite sórdida que tiveram
Nunca soube controlar o tesão
Desejava-o a todo momento
Tocava-se o tempo todo
Gozava em seus dedos
Revendo no vídeo o movimento dos seus corpos.